Todo contribuinte brasileiro tem que realizar a declaração do Imposto de Renda. É preciso, por exemplo, informar o quanto você ganha em seu emprego, além de bens como imóveis. Mas sabia que também é necessário declarar investimentos?

O Leão deve saber de todas as suas aplicações, de modo a fazer uma tributação adequada. Se você ocultar esses dados ou errar no preenchimento, corre o risco de cair na malha fina e de ter que pagar um alto valor de multa.

Para se livrar desse cenário, trazemos as principais dicas para declarar investimentos no Imposto de Renda. Confira!

Quem deve declarar?

A princípio, não são todas as pessoas que devem apresentar as aplicações financeiras — assim como acontece normalmente para outros valores. Para trazer clareza sobre essas questões, há algumas normas estabelecidas pela Receita Federal. De acordo com o órgão, fica obrigado a declarar investimento quem:

  • tiver rendimento anual superior a R$ 28.556,70 (referentes a 2018);
  • tiver recebido valores não tributáveis acima de R$ 40.000,00 anuais;
  • tiver patrimônio maior que R$ 300.000,00, somando imóvel, carro e investimentos;
  • tiver realizado atividades na Bolsa de Valores.

Os outros critérios são menos importantes ao declarar investimentos. Note que, se você se encaixar em qualquer um dos pontos, terá que fazer a apresentação.

Além disso, ao cair em um critério, todas as aplicações (mesmo as isentas) terão que ser declaradas. Se tiver investido na LCI e na Bolsa, por exemplo, precisará incluir a primeira — ainda que a opção seja livre de IR.

Em que seção do sistema da Receita, os investimentos são declarados?

Para facilitar, a Receita Federal divide o processo em várias partes. Para conseguir que tudo seja aprovado corretamente, é preciso saber onde declarar impostos. Na parte de “Bens e Direitos” é que estão as principais classificações para identificar os investimentos. Nessa área, é comum ter que apresentar o custo de aquisição, de acordo com o código de cada operação.

Quanto à tributação dos rendimentos em si, normalmente o recolhimento é feito na fonte. Então, o cliente deve apenas solicitar os informes de rendimentos para anexar.

Qual modelo de declaração utilizar?

Na hora de fazer a declaração, a Receita Federal oferece dois modelos principais: o completo e o simplificado.

O primeiro, como o nome sugere, tem mais possibilidades. Ele é indicado para quem tem dependentes e pode deduzir diversos valores, como gastos com escola e saúde. Em muitos casos, isso ajuda a diminuir o valor a ser tributado e aumenta a restituição.

Já o modelo simplificado é preenchido com mais facilidade. Em troca de todas as possíveis deduções, o contribuinte recebe um “desconto” de 20% no montante, com limite de R$ 16.754,34.

Quais documentos necessários?

Além dos documentos de identificação tradicionais, como o CPF, um elemento é fundamental: o informe de rendimentos.

Na hora de declarar investimentos, é uma mão na roda, pois traz todas as movimentações, ganhos, valores iniciais e assim por diante. Ele é obtido junto à instituição responsável, como a corretora. Basta realizar uma solicitação no atendimento e utilizar os dados nos campos indicados.

Note, entretanto, que a aproximação do prazo final da declaração pode fazer muitas pessoas seguirem por esse mesmo caminho. Para evitar demoras, o melhor é se antecipar e solicitar o documento à instituição antes do prazo final.

Quais são os valores das alíquotas?

Os diversos tipos de aplicações têm incidência diferente. Então, vale a pena ficar de olho nessas questões para não pagar um valor incorreto ou insuficiente.

O Tesouro Direto, o CDB e os fundos de investimento tributados como longo prazo, seguem a tabela regressiva, que varia de 22,5% a 15% de acordo com o prazo da aplicação. Quanto mais tempo o dinheiro é aplicado, menor é a alíquota. Nesse caso, a informação deve constar em “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”.

Já os fundos de ações e as ações têm alíquota de 15% sobre o rendimento. Eles entram em “Demonstrativo de Renda Variável”. As ações, até o valor de venda negociado dentro do próprio mês até o limite de R$ 20 mil, também são isentos. Neste caso, é informado como “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”.

Quais detalhes devem estar incluídos?

Em geral, a Receita Federal faz um grande cruzamento dos dados recebidos, em sua totalidade. A intenção é identificar se houve alguma sonegação ou valor inadequado, então os informes de todos os contribuintes são válidos.

Na hora de declarar investimentos, recomendamos que tome cuidado com algumas informações que devem ser adicionadas. No caso de fundos de investimento, por exemplo, é necessário incluir a quantidade de cotas e o CNPJ na descrição. Com o Tesouro Direto, é preciso identificar o agente emissor e o total da aplicação.

Tudo isso será usado, futuramente, para verificar se outros contribuintes e se os responsáveis fizeram a declaração adequada. Então, colete esses dados de forma correta para não ter nenhuma dificuldade durante o preenchimento.

Como evitar erros?

Como visto, as falhas fazem com que o seu CPF caia na malha fina, o que leva à necessidade de comprovação e até de pagamento de multas. Portanto, o melhor é fugir desse cenário. Um dos jeitos de evitar problemas é baixar o programa de rascunho do Imposto de Renda e adicionar os dados conforme eles se concretizarem. Isso diminui os riscos de algo ser esquecido, o que evita falhas.

Também recomendamos buscar informações novas — exatamente como você fez agora. Quanto mais conhecimento tiver sobre o tema, mais fácil vai ser declarar investimentos. Uma assessoria de investimentos, inclusive, pode ajudar.

Dependendo do caso, também vale a pena contratar um contador. Esse profissional tem todo o conhecimento e a experiência que são necessários para que a sua declaração seja aprovada.

Se, mesmo assim, alguma informação errada for enviada, não se desespere! É possível realizar uma retificação dentro do prazo, o que evita dificuldades futuras com a mordida do Leão.

Saber declarar investimentos no Imposto de Renda é fundamental para não ter problemas com a Receita. Ao seguir essas orientações, você terá toda a segurança para se manter totalmente regular.

Quer outras dicas sobre o mercado financeiro e de aplicações? Assine a nossa newsletter e não perca nenhuma atualização!